quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Só hoje

Depois de aproximadamente três meses e meio de sangria de petróleo no mar, ao que parece conseguiu-se estancar o vazamento. Agora é hora de contabilizar os danos ambientais e econômicos (é impressionante como esses dois termos já estão frequentemente associados – um dia perceberemos a sua redundância). Poderíamos também calcular os prejuízos (ambientais e econômicos) de outros estragos feitos pelos combustíveis fósseis. Só nas manchetes de hoje podemos citar estrago feito pelas tempestades na China, considerar também os números do Paquistão e das queimadas na Rússia. Não são só eventos climáticos extremos, são prejuízos extremos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

De volta ao mundo novo

Uma grande mudança na sociedade brasileira ocorreu durante o período em que este blog ficou sem receber postagem: percebemos enfim os riscos da exploração de petróleo em alto mar e timidamente começamos todos pelo menos a atentar para o risco. Como este blog reiteradamente alertou (ver postagens anteriores), estávamos deslumbrados demais com o pré-sal para questioná-lo em qualquer aspecto que fosse. Hoje a situação mudou. Recentemente a ANP começou a mostrar preocupação não só com o aspecto da segurança, mas também com as mudanças tecnológicas vigentes (http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/07/27/o-mico-a-pressa-311409.asp). É curioso, mas precisaram se passar três meses e diversas tentativas de conter o vazamento petróleo no maior acidente desse tipo. Foi necessário outro acidente do tipo na outra potência mundial para que déssemos contas do risco que sempre foi evidente e já ocorreu por aqui.
Hoje mesmo saiu mais uma matéria: (http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/07/entenda-os-riscos-da-exploracao-de-petroleo.html)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Enfim uma boa notícia

E a notícia demorou 21 anos para se tornar realidade:(http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100708/not_imp578039,0.php).

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Por todos os lados

Os esforços são por baixo e por cima (http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/afp/2010/07/07/aviao-experimental-que-funciona-com-energia-solar-inicia-voo-historico.jhtm).

terça-feira, 6 de julho de 2010

A velocidade relativa

A direção parece certa, a velocidade parece firme, logo, logo estaremos lá (http://colunas.epocanegocios.globo.com/tecneira/2010/07/06/carro-eletrico-bate-recorde-usando-baterias-de-laptop/).

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ouvidos (realmente) moucos

É incrível como um país em que até mesmo um aparentemente inofensivo bueiro explode, pode confiar tanto que não vai acontecer nada com suas perfurações de petróleo em águas cada vez mais profundas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A nova realidade e as disputas (não esportivas) na África

É consenso que a China em seu ritmo de crescimento logo mais esbarrará no gargalo da falta de recursos naturais. Por isso ela mantém seu apetite em países estrangeiros focando o investimento especialmente no setor de produtos primários a fim de assegurar o suprimento de recursos no futuro próximo. A carente África é vista como uma oportunidade. Mas é de lá onde os conflitos característicos desse século devem se evidenciar – ou melhor, já se evidenciam (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,paises-africanos-brigam-pelas-aguas-do-nilo,572147,0.htm). Nesta notícia chamam a atenção as taxas de natalidade – que alimentam o ciclo exigindo volumes colossais de investimentos e, intervenções drásticas no corpo d´água e naturalmente, um clima pouco amistoso.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O relógio do tempo

25 milhões de pessoas afetadas e 175 mortos por tempestades na populosa China (http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=24641921). Na pequena Alagoas quase 60 mil desabrigados, mil desaparecidos (http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2010/06/21/calamidade-publica-e-decretada-em-15-cidades-de-alagoas-1087-estao-desaparecidos.jhtm). Dos dois lados do mundo as chuvas intensas castigam. Políticas Públicas para a adaptação às mudanças climáticas já são imprescindíveis, principalmente com os tropeços na migração para a economia de baixo carbono.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O futuro do passado e a cidade

No decorrer do século passado, São Paulo cresceu em um ritmo nunca visto. Um bom panorama pode ser conferido num ótimo artigo do Estadão (http://issonaoenormal.com.br/post/os-rios-foram-asfaltados). É uma das mais claras demonstrações do sentimento geral do referido século de que a engenharia humana poderia sobrepujar os limites naturais Hoje sofremos o impacto de tal concepção. Diante disso tivemos que mudar inclusive a concepção de futuro. A antes expansão ilimitada (inclusive em direção ao espaço sideral) da engenharia humana deixou de representar o futuro. No novo século, o futuro se apresenta como a busca de integração com a antes adversária natureza e a engenharia humana se dedica a entender melhor como funciona a mesma.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A insustentabilidade de cada dia

Hoje, às 6h00 da manhã passaram-se sete ônibus daqueles grandes (um logo depois do outro) que eu não pude pegar de tão cheios. Enfim tive que subir no oitavo e ficar espremido sem poder me mexer por uma viagem de uma hora e quarenta e cinco minutos alongada pela incapacidade de ultrapassagem do corredor de ônibus da Rebouças e porque as pessoas tentam desesperadamente entrar em ônibus totalmente lotados - travando ainda mais o sistema.
Chegando ao escritório leio sobre um estudo do Inpe – do ótimo Carlos Nobre - que reforça as preocupações sobre o aquecimento global na região metropolitana de São Paulo (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100615/not_imp566622,0.php). A atividade matinal, entretanto, me fez atentar para um detalhe do estudo: “A Região Metropolitana de São Paulo possui cerca de 20 milhões de habitantes e as projeções indicam que a mancha urbana será o dobro da atual em 2030.” É, simplesmente, insustentável.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma nova Arábia para a nova economia

Até que enfim Obama está tratando o acidente como se deve tratar (http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/06/obama-compara-mare-negra-no-golfo-do-mexico-a-atentados-do-119.html). Até agora ele mesmo tratava a sua própria lei de energia e clima como uma prioridade secundária. Quem sabe agora empenhe o mesmo esforço que empenho na alteração do sistema de saúde. E os EUA possam liderar com a China e a EU a mudança de paradigma que precisamos para o século XXI.

E por falar em mudança de paradigma, uma boa notícia para a indústria de energia renovável e, principalmente, para o sofrido Afeganistão. O país que não tem petróleo – contrariando as antigas teorias conspiratórias - tem uma grande reserva de um recurso natural fundamental para a disseminação do carro elétrico: lítio (http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/06/eua-revelam-ricas-reservas-de-cobre-e-litio-no-afeganistao.html). Com isso, o país se credencia para ser uma espécie de Arábia Saudita para a nova economia. Esperamos que também com um novo modo de aproveitar a riqueza natural.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O filtro

Se o enorme e cada vez maior desastre ambiental (http://noticias.br.msn.com/mundo/artigo-bbc.aspx?cp-documentid=24539607) não revelar a definitiva disposição mundial em abrir mão desse recurso sujo em vários sentidos, o fato certamente está revelando novas técnicas de comunicação empresarial (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100611/not_imp564832,0.php). Notícias, entretanto, vazam mais que petróleo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ouvidos moucos

A Noruega, sempre citada como exemplo de produtor de petróleo que consegue conciliar a qualidade de vida da sua população com a vida de exportador de petróleo, dessa vez provavelmente não deve ser seguida. A nação decidiu suspender a prospecção e a instalação de novos poços de petróleo e gás enquanto as condições do acidente não se esclarecerem (http://portosenavios.com.br/site/noticiario/industria-naval/3577-noruega-veta-novos-pocos-de-petroleo-e-gas-no-mar).
Mais do que isso, começa-se a discutir a pertinência da expansão da industria no mar. A indústria de petróleo norueguesa quer perfurar no norte do país, perto das ilhas Lofoten, já no Círculo Polar Ártico, numa área importante para a pesca do bacalhau. Alguns dos membros da coalizão de centro-esquerda que governa o país querem evitar que essa área corra riscos de passar por um desastre semelhante ao do Golfo do México.
Riscos do qual o abençoado Brasil se acha imune.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Alhos com bugalhos

Enquanto não se internalizar custos implícitos, realizar a comparação de Belo Monte com energias alternativas como se fez no estudo publicado pelo Governo (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100607/not_imp562553,0.php)
, fica difícil uma comparação real. Os custos implícitos são fundamentais para dar uma dimensão real da situação econômica de cada alternativa. Um investimento subsidiado, não pode ignorar o subsídio na sua composição de custos. Muito menos se devem ignorar custos de transmissão. Também deveriam ser internalizados os custos ambientais não só a da barragem e do alagamento, mas também os da própria transmissão e decorrentes perdas de energia. Se internalizando todo esse custo, Belo Monte ainda fosse viável, muito provavelmente seria um ótimo negócio e, consequentemente, vários grupos teriam se interessado no empreendimento. Definitivamente não foi o que aconteceu.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O mito dinheiro fácil

No Brasil, o pré-sal virou um verdadeiro tabu. Não se pode renegá-lo, de jeito nenhum. É como se tivesse tomado uma dimensão divina. Prova disso, é que nem mesmo diante do maior acidente de petróleo do mundo ocorrido justamente em plataformas marítimas, a candidata do Partido Verde, que se propõe a colocar o Brasil na economia de baixo carbono, ousa questionar a exploração do pré-sal (http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/01/marina-critica-inchaco-da-maquina-publica-e-defende-cortes-de-gastos-para-conter-inflacao.jhtm).
Nem sempre a unanimidade é burra, mas dessa vez – maravilhados com a descoberta de uma mina no quintal – esqueceram de contabilizar os custos. Não somente os diretos que são avaliados de forma otimista na base dos U$ 600 bi - o que equivale à metade de do o PIB brasileiro de 2007 - mas também os implícitos. Ou seja, além de arcar com pelo menos metade de tudo o que o país produz, os tomadores de decisão precisam considerar aspectos que precisam ser internalizados na equação econômica como: riscos (não só de acidentes como esse, mas também menor produtividade que a esperada, etc.), externalidades (como impacto ambiental, acirramento das mudanças climáticas, etc.) e principalmente custo de oportunidade (quanto renderia esse recurso se fosse aplicado em outra atividade ou produto mais compatível com a nova economia que se desenha).
Definitivamente a volúpia do brasileiro pelo pré-sal está mais do que arraigado no brasileiro e não serão os políticos em época de eleição que irão questionar. Só há uma explicação plausível para esse fenômeno. A descoberta de petróleo estar associada ao mito do dinheiro fácil. E qual o brasileiro que não sonhou com isso? Infelizmente, entretanto, não podemos dizer que isso seja uma virtude do nosso povo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os buracos que não fecham

Fracassou mais uma tentativa da BP de conter o vazamento de petróleo. 19 mil barris de petróleo continuam a vazar no Golfo do México no pior acidente de petróleo dos EUA. Enaquanto isso, a Petrobras se endivida e busca capital para empreitadas no pré-sal (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100531/not_imp559214,0.php). A China -espertamente - já se predispôs a aportar parte do imenso capital necessário (Estima-se meio PIB brasileiro para meia dúzias de poços em águas profundas) para a aventura em troca de petróleo. Espertamente porque receberá apenas o resultado, sem dividir o risco (um acidente como este seria bem longe dos mares da China).
Já o Brasil segue encantado, achando provavelmente que a Petrobras está a anos luz da BP para lidar com um problema destes. Quem conhece, entretanto, a estatal, sabe que a realidade não é essa. Em um estado grande produtor de petróleo como o Espírito Santo, sequer há um Centro de Defesa Ambiental (CDA), o que é o básico em se falando de prevenção. Tanto é assim que a tão aclamada líder em exploração em águas profundas se limitou à cessão de alguns equipamentos e enviou um funcionário para acompanhar (aprender?) as vãs tentativas da sua prima inglesa.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Olhando pra frente

Além de evidenciar a tradicional falta de coesão das políticas públicas no Brasil, a confusão gerada na divulgação do programa de incentivo ao carro elétrico nesta semana (http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/economia/mat/2010/05/27/impasse-entre-ministerios-da-fazenda-do-desenvolvimento-atrasa-plano-de-incentivo-carro-eletrico-916714238.asp) mostra também uma encruzilhada tecnológica do Brasil.
De um lado, toda a indústria automobilística está fazendo uma opção tecnológica pelo carro elétrico, de outro o Brasil tem uma opção, ainda que não tão eficaz para a redução das emissões dos veículos de transporte, muito mais acessível e viável para uma migração em curto prazo: o etanol.
A primeira oportunidade de ter exportado essa tecnologia já consolidada quando não havia nenhuma opção para o mundo já foi perdida. A indústria automobilística já está consolidando o seu caminho na direção do carro elétrico e a forte indústria brasileira não pode ficar à margem desse processo, por isso seria importante um programa como esse.
Por outro lado, a solução do etanol e os seus representantes têm que buscar as lacunas dessa nova tecnologia como, por exemplo, a necessidade de autonomia dos veículos. A eletricidade é completamente inadequada para veículos de carga e de longa distância. Esse é um segmento extremamente relevante e que por hora se utiliza somente de combustíveis fósseis (até no Brasil, a parte renovável desse tipo de combustível é somente os 5% de biodiesel exigidos no diesel). O direcionamento do foco ajudaria ao setor de etanol e seus defensores uma viabilização dos seus objetivos e evitaria outra oportunidade perdida de ter a sua solução disseminada mundialmente.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A maré trouxe e trará de volta a sujeira

Somente depois de trinta e quatro dias de petróleo jorrando livremente no Golfo do México é que as primeiras vozes contra a exploração de petróleo no fundo do mar aqui no Brasil começaram a se manifestar como mostra a coluna da Miriam Leitão no O Globo de hoje (http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/05/25/economia6_0.asp). Já não era em tempo. Isso mostra o tabu que representa no Brasil ir contra o pré-sal. Atualmente parece ser muito mais antipatriótico ser contra a exploração do pré-sal, do que torcer contra a seleção brasileira. E ninguém se pergunta o porquê disso tudo.
Os gastos já são imensos como mostra o artigo, mas deveriam ser maiores ainda para incluir o risco da operação, que não é somente da empresa, mas principalmente nosso. Tudo para caminhar exatamente na direção oposta da criação de uma economia de baixo carbono que viabilizaria a sociedade frente ao desafio do aquecimento global. É importante perceber que hoje o petróleo chega na costa da Flórida, o estado turístico que na eleição de 2000, ao decidir por Bush, deu uma sobrevida maior à economia baseada no óleo que assolará a sua economia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Três breves postagens

Apesar de eventos climáticos extremos terem recentemente se distribuído pelo país, parece ser o estado de Santa Catarina o que mais sofre com o drama. Anteontem à noite choveu o dobro do esperado para o mês todo. Em Florianópolis foi a maior tromba d´água dos últimos 90 anos. Isso em pleno outono.

No Estadão de hoje há outro excelente artigo, desta vez de Thomas Friedmann (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100520/not_imp554176,0.php) mostrando como Obama hesita num momento que não se pode hesitar.

Pena que a Copa será na Africa do Sul e não na Irlanda. Enquanto essa inaugura um estádio modelo em sustentabilidade (http://verde.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=24292788), o país-sede da Copa, embora passe por um racionamento de energia elétrica, deixa a luz dos seus estádios ligada a noite toda.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Por uma melhor ocupação das nossas terras

No Estadão de hoje há um ótimo artigo de André Meloni Nassar http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100519/not_imp553719,0.php) contendo propostas para o código florestal brasileiro superar os impasses sobre a reserva legal e promover uma melhor ocupação das terras brasileiras levando em conta os fundamentais serviços ambientais da floresta conservada. No Brasil, um país que ao mesmo tempo tem a grande parte da sua biodiversidade conservada (muito embora sobre constante pressão) e a área agriculturável extremamente subaproveitada (quase quatro quintos da área agriculturável é ocupada por pastos), essa questão se mostra tão fundamental quanto não resolvida. A revisão do código florestal tem uma imensa responsabilidade de dar um passo à frente e não para trás na criação de valor para a conservação florestal. Dar valor para a floresta conservada é um ótimo passo.